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Antes um terreno espinhoso, construção civil passa a atrair cada vez mais mulheres

Antes um terreno espinhoso, construção civil passa a atrair cada vez mais mulheres
Denise Aleluia
mar. 12 - 12 min de leitura
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Elas são mulheres, esposas, mães, empreendedoras. Têm também em comum a paixão por suas franquias Casa do Construtor e pelo meio em que atuam. Diferentes caminhos levaram Denise Weyne, 53 anos, Renata Chang, 52, e Graziela Omori, 43, a tornarem-se franqueadas e, indo além, multifranqueadas da rede de aluguel de equipamentos para construção com mais de 300 unidades em todo o País.

Paranaense de Cambará, mas radicada em São Paulo desde os 3 anos de idade, Denise, administradora de empresas, morava no Chile quando, já nutrindo o desejo de ter o negócio próprio e tendo amadurecido a ideia com o esposo Taciano Weyne, 56 anos, engenheiro químico, começaram a pesquisar franquias na internet. “Meu pai é comerciante, sempre tive muito contato com o empreendedorismo. Trabalhei bastante tempo com carteira assinada, mas sempre fui muito simpática por empreender”, conta. Ao encontrarem a “Casa do Construtor”, Denise falou: “’Isso eu gosto’. Eu que administrei a construção da minha casa e sempre gostei de movimento de obra”, diz. Já afastada de atividades profissionais há sete anos na época, mãe de dois filhos (Murilo, 19 anos, e Laura, 14), Denise estava decidida a voltar a trabalhar, trilhando novamente o caminho do empreendedorismo.

“Eu queria um negócio que fosse não um plano B, mas um plano A”, ressalta Denise. Seu desejo também era montar um tipo de negócio que lhe possibilitasse conciliar o trabalho e os cuidados com os filhos, sem ter que abrir mão dos finais de semana. A Casa do Construtor seria a escolha perfeita, tanto que três meses após, Taciano tomou a decisão de se desligar da empresa onde trabalhou por 15 anos para tocar com a esposa sua primeira franquia da rede, inaugurada em dezembro de 2009 (ano em que retornaram do Chile), na cidade de Cotia, Grande São Paulo. “Quando o Taciano entrou, agregou muito, por sua experiência”, ressalta Denise, que se diz “mais braçal, faz tudo”, e o marido é “mais cerebral”. “Em três meses a loja já faturava o suficiente para pagar todas as despesas. A nossa curva de crescimento no primeiro ano foi muito prazerosa de se acompanhar”, lembra.

A segunda unidade Casa do Construtor, aberta pelo casal em 2012, fica em Vargem Grande Paulista, na mesma região. “No décimo primeiro ano, já estamos indo para a terceira loja”, conta Denise. A nova unidade está prevista para ser inaugurada na 2ª quinzena de abril, no limite entre Cotia e Carapicuíba. Atualmente, o casal empreendedor emprega 26 colaboradores.

Franqueada abriu o mercado no Recife

Renata Chang, natural do Recife (PE), já morou no Rio, nos Estados Unidos, mas foi em sua terra natal que ela construiu seu caminho para empreender. Graduada em Marketing, Renata foi a precursora da Casa do Construtor na região da capital pernambucana. Segundo ela, sempre foi atraída pelo comércio. “Sempre gostei da área comercial, desde muito cedo estava ligada a ela. Já tive restaurante e outros negócios, trabalhei com marketing político, pesquisa de mercado, mas meu negócio é lidar com o público. É a área comercial que me atrai”, diz.

A ideia de abrir a franquia começou a se concretizar quando o amigo, que se tornaria sócio, Tiago Reis, 47 anos, conversando com o marido de Renata, o médico Tien-Man Chang (50), descendente de taiwaneses, acharam a Casa do Construtor e resolveram empreender na locação de máquinas e equipamentos. Reis chegou com várias sacolas com materiais sobre diversas franquias, pois planejava sair do mercado de trabalho e mudar de ramo de negócio. Para colocar seus planos em prática, havia visitado a ABF Franchising Expo – maior feira de franquias do mundo realizada em São Paulo. “Eu e meu marido já havíamos conversado sobre empreender e pesquisado franquias em diferentes segmentos. Vimos a Casa do Construtor junto com o Tiago, e eu, como mulher, gosto de me destacar e queria fazer a diferença na Casa do Construtor. Eu gosto de desafios e quando falam: ‘Você não vai conseguir’, para mim é a melhor coisa do mundo”, diz Renata.

Assim, há sete anos, em 2014, Renata e Reis inauguraram sua primeira loja. “Abrimos em Olinda e diante disso a gente conseguiu tanta coisa! Abri Olinda com olhos para Recife. A gente fez um trabalho muito sólido em Olinda, três anos depois, abrimos Caxangá [já na capital pernambucana], dois anos depois, em 2019, Imbiribeira, e agora está em obras Candeias”, conta. A quarta loja dos empreendedores deve ser inaugurada em maio. “Com a pandemia, estamos indo mais devagar. Este ano o projeto é abrir duas”, diz a empreendedora que emprega atualmente 36 pessoas.

Renata conta também que não se imaginava trabalhando no mercado de betoneiras e andaimes. “Estou sempre visitando obras, tendo contato com engenheiros e mestres de obras que são muito importantes para a Casa do Construtor. Quando vejo uma obra, levo meus panfletos e ao entrar no canteiro, quando me deparo com a marca ‘Casa do Construtor’ no local, fico tão feliz! Hoje, depois de tantos anos de trabalho, ter a Casa do Construtor aqui em Recife é uma grande conquista”, ressalta. Ainda segundo a multifranqueada, é comum ouvir das pessoas que convivem com ela a expressão: “Bora que o furacão chegou”.

Casada há 15 anos com Chang, Renata veio de uma família grande, de seis filhos, e afirma que seu esposo sempre a apoiou muito. “Minha trajetória de vida, como do meu sócio, no sucesso da Casa do Construtor, teve um grande apoio familiar”, afirma. “Meu marido entra mais na parte estratégica.  Nos reunimos, nós três, semanalmente e ele é mais um consultor para apontar onde a gente precisa melhorar”, conta. Mãe de quatro filhos (Emanuele, 32 anos, casada, Gustavo, 26, ambos residentes nos EUA, Tiago, 13, e Mariana, 11), Renata conta que lida bem com marido e filhos. “Eu consigo administrar superbem minha rotina e gerenciar meu tempo. A partir das 17 horas, eu tenho o cuidado de estar em casa na volta dos meus filhos da escola”, completa.

Do Japão para a Casa do Construtor

Paulista de Araçatuba, Graziela Omori trancou a faculdade de Administração e foi para o Japão em 1998 com o marido Flavio (49 anos), à época noivo, mas já com planos de voltar. “Fiquei dez anos lá, mas nunca quis ficar. Eu via o Japão como fonte de levantar capital para empreender. Sabe quando você quer fazer um ‘pé de meia’? Fomos para conseguir comprar casa, carro... Eu tinha o sonho de completar os estudos, mas não consegui e lá participava de feiras de negócios, de palestras, lia muitos livros sobre empreendedorismo”, conta ela. E foi justamente em uma palestra sobre franchising que assistiu em 2004, ainda no Japão, que Graziela se interessou por ter sua franquia. Segundo ela, é muito comum as histórias de dekasseguis que vão e voltam ao Japão, num ciclo vicioso de sucesso e insucesso do qual ela e o noivo não queriam fazer parte. “Como eu não tinha estudo, queria um caminho e sabia que tinha que investir em conhecimento”. “Percebi que o mundo já estava voltado para o franchising, para as redes”, observa.

A cada dois anos, eles vinham em férias para visitar a família e ao longo dos dez anos de trabalho, foram investindo na compra de imóveis que mantinham alugados. Numa dessas vindas, em 2007 casaram-se oficialmente. E em 2009, ao engravidar, Graziela e o esposo entenderam que era o momento de voltar para oBrasil. Na mente, o casal já tinha a certeza de que o investimento seria feito numa franquia. Uma familiar, prima de Flavio, Carina e o esposo Paulo Suzaki, já eram proprietários de uma franquia da Casa do Construtor. Assim, logo em 2010 abriram sua loja em sociedade com os primos em Cascavel (PR). Segundo Graziela, quando estava no Japão, lembrava daquela poesia “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá...” (de Gonçalves Dias) e o Sul, muito organizado, deixou o casal muito bem impressionado. A primogênita Amanda (11 anos) nasceu em 2009, e hoje o casal tem também a Larissa, 9, a Isabele, 6 e o Enzo, 4 anos.

 Em 2012, devido a um acidente sofrido pelo marido, Graziela assumiu a franquia e passou a compreender melhor e se envolver mais com o negócio. Flavio continua trabalhando, tendo a esposa sempre ao seu lado. “Eu gosto de tudo na verdade. Eu sou apaixonada por esse negócio”, afirma ela. Ainda de acordo com Graziela, “a segurança de comprar uma franquia é exatamente isso: você compra um pacote pronto. Eles estudam, testam e homologam. A receita do bolo está pronta. É isso que eu entendo como franqueada”, afirma.

Atualmente, o casal tem mais uma loja na cidade de Toledo, aberta em 2016 e conta com 26 colaboradores. A exemplo de Denise e Taciano, e Renata e Reis, Graziela e Flavio também inaugurarão novas unidades Casa do Construtor ainda em 2021. Os empreendedores abrirão mais duas lojas, uma em Marechal Cândido Rondon e a segunda em Cascavel.

Desafios e paixão por gerenciar pessoas           

As três multifranqueadas afirmam gostar muito da gestão de pessoas, apesar de considerarem um grande desafio. “O maior desafio é administrar o tempo e a gestão das pessoas. A cada dia temos que ser mais comprometidos com a gestão do tempo. Para a gente abrir mais loja é um desafio. O que mais me consome é a administração de pessoal. É conciliar o meu tempo de uma maneira que seja produtivo com a gestão de pessoal. O restante, que até aprendi com a pandemia, você envia um e-mail, negocia, mas com a gestão de pessoal, não”, afirma Denise. Ainda segundo a franqueada, o objetivo dela e do marido é fazer com que os colaboradores entendam que estão todos ali para ganhar. Para motivar e engajar os funcionários, o casal criou um programa de bonificação.

“Lidar com gente, eu gosto de lidar com obra, falar com mestre de obras, engenheiro, essa parte comercial para mim é muito prazerosa, e apesar de difícil, gosto de lidar com gente, ver o desenvolvimento pessoal”, diz Renata. Para ela, “os maiores desafios são contratar gente qualificada e se manterem competitivos no mercado”.

“Eu gosto de desafio e meu marido também”, diz Graziela. “A grande dificuldade que a gente tem e isso me dá muita satisfação é lidar com pessoas. A dinâmica de conhecer e entender o outro, colaboradores, fornecedores. Essa é a grande sacada, gente lidando com gente. Isso eu sou apaixonada porque a gente tenta resolver tudo. Nossos colaboradores se referem a nós como ‘mãe’, como ‘pai’ e eu falo que é isso mesmo porque a responsabilidade é minha. Se a gente erra, eles são impactados”, observa.

 


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